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Abralic - Chamada - simpósio A crítica literária contemporânea e o seu lugar no debate público de ideias

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Daremos continuidade à discussão sobre a diversidade das atuais práticas críticas contemporâneas: seus valores, pressupostos e impasses. Atenção especial pode ser dada também ao resgate de autoras e autores que, engajados, no passado, em um fecundo
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    XV Congresso Internacional da Abralic  –   2017 Simpósios selecionados Lista de Resumos 1 - A atualidade de J. W. Goethe Coordenadores: Magali dos Santos Moura (UERJ) - magali.moura@uol.com.br Wilma Patrícia Marzari Dinardo Maas (UNESP/ Araraquara) - pmaas@uol.com.br Marcus Vinícius Mazzari (USP) - marcusmazzari@hotmail.com Resumo : Como homem de letras, cientista e figura histórica, J. W. von Goethe dispensa apresentações. Sua obra caudalosa, publicada ao longo de cerca de sessenta anos, compreende alguns dos textos mais significativos da literatura em língua alemã, envolvendo temáticas universais, como o pacto fáustico ou os conceitos de formação (Bildung) e literatura mundial (Weltliteratur). O conceito de romance de formação (Bildungsroman), cunhado por Karl Morgenstern (1803), foi por ele diretamente associado ao romance de Goethe, Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1795-96). Ao fazer essa associação, Morgenstern inaugura a fortuna crítica do termo, assim como a do próprio romance, atrelando-as a um discurso laudatório do conjunto das virtudes burguesas. Como consequência disso, a história da literatura acolheu ao longo dos anos uma definição conservadora do romance de formação, identificando-o sempre como uma narrativa de aperfeiçoamento pessoal e integração na sociedade. O acompanhamento da história do gênero, assim como da história da obra a ele associada, mostrará, entretanto, que a sobrevivência do Bildungsroman só pode se dar por meio da subversão dos pressupostos que definiram sua gênese. Se o romance de Goethe teve, já entre os críticos contemporâneos, aqueles capazes de reconhecer a ironia e a ausência de integração e harmonia na trajetória do protagonista, também o conceito de Bildungsroman passou a denominar narrativas por vezes bastante desviantes das definições iniciais. A questão que se coloca, portanto, é a das condições de sobrevivência do termo e do gênero na contemporaneidade, uma vez que os  pressupostos que lhes deram srcem há muito deixaram de existir Também o conceito  de literatura mundial (Weltliteratur) acompanha os compassos da implementação do  projeto de modernidade baseado na colonização e exploração das terras além da Europa. Vale lembrar que o termo foi cunhado por Goethe nos anos em que se ocupava com Fausto II, época em que as notícias advindas da estada de Martius no Brasil o levaram a retomar dois poemas com o subtítulo ―Brasilianisch‖, escritos várias décadas antes  sob a influência do ensaio de Montaigne sobre os canibais. A persistência do conceito de literatura mundial, revisitado por recentes estudos críticos como os de David Damrosch (2003) e de Franco Moretti (2000), levou à fundação do Institut for World Literature na Universidade de Harvard. Além disso, em estreita relação com os estudos culturais, o termo foi determinante para a cunhagem do conceito de ―globalização‖ (Roland Robertson; Zygmunt Bauman; Ulrich Beck), espelho de estudos que debatem o  processo de globalização e a homogeneidade cultural. O termo relaciona-se às mudanças comportamentais dos ―indivíduos em trânsito‖, em um tempo em que se caracterizam mais pelo estar em movimento do que em termos de Estado nacional. Assim, abre-se aqui um espaço para contribuições que revisitem o termo ―literatura mundial‖ nos contextos da velocidade das mídias e dos processos de circulação cultural. Em consonância com a linha de pensamento que ressalta a atualidade do pensamento goethiano, encorajamos ainda contribuições que focalizem a concepção que Goethe tem da história, muitas vezes mediatizada por sua capacidade de ver o tempo no espaço, como já disse Bakhtin. Sugerimos particularmente contribuições sobre as configurações do tempo histórico (no sentido em que o entende Reinhard Koselleck) tanto na obra ficcional, por exemplo o segundo Fausto, como na obra autobiográfica, a exemplo da Viagem à Itália. Assim, entendemos que o embate com a obra de Goethe ultrapassa as demarcações da assim chamada ―Época de Goethe‖ ou  as décadas que a ela se seguiram, estendendo-se até nossos dias, bastando pensar em romancistas como Thomas Mann, Martin Walser, Günter Grass ou filósofos como Gadamer, Bloch, Ernst Cassirer ou Hans Blumenberg, para lembrar apenas alguns nomes. Em consonância com a multiplicidade, assim como com a universalidade da obra de Goethe, este simpósio acolherá contribuições relacionadas aos temas indicados nas palavras-chave (ou afins a estes). Referências Bibliográficas BAUMAN, Zygmunt. Globalização: As consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. BECK, Ulrich. O que é globalização? Equívocos do globalismo, respostas à globalização. São Paulo: Editora Unesp, 1999. DAMROSCH, David. How to Read World Literature. London: Blackwell, 2009. DAMROSCH, David. What Is World Literature? Princeton: Princeton University Press, 2003. MAAS, Wilma Patricia Marzari. O Cânone mínimo. O Bildungsroman na história da literatura. São Paulo : Editora UNESP, 2000. MAZZARI, Marcus. Natureza ou Deus: afinidades panteístas ent re Goethe e o ―brasileiro‖ Martius. IN: Estudos Avançados 24 (69), 2010, pp. 183-202. MOURA, Magali dos Santos: KESTLER, Izabela Maria Furtado. Aspectos da Época de Goethe. 1ª ed., Rio de Janeiro: H. P. Comunicação, 2011. ROBERTSON, R. (1998): Globalisierung: Homogenität und Heterogenität in Raum und Zeit. In: Beck, U. (Hrsg.): Perspektiven der Weltgesellschaft, Frankfurt am Main. STURM-TRIGONAKIS, Elke. Comparative Cultural Studies and the New Weltliteratur. West Lafayette: Purdue University Press, 2013. Palavras-chave : Goethe; Literatura mundial; Literatura comparada; modernidade 2 - Belle Époque: A cidade e as experiências da modernidade em arte e literatura Coordenadores: Carmem Lúcia Negreiros de Figueiredo (UERJ) - carmemlucianegreiros@gmail.com  Jean Pierre Chauvin (USP) - tupiano@usp.br Rosa Maria de Carvalho Gens (UFRJ) - rosagens@uol.com.br Resumo : A Belle Époque, período compreendido entre o final do século XIX e as  primeiras décadas do século XX, caracterizou-se por uma série de transformações reunidas sob o eixo progresso e civilização. Os novos meios de transporte, comunicação e distribuição, combinados à distribuição voraz de mercadorias, veículos e sujeitos, reconfiguraram as práticas de mobilidade e circulação: eixos marcantes do crescimento do capitalismo. O cenário mais representativo desse processo, no Brasil, é o Rio de Janeiro, que protagonizou os efeitos dessas mudanças na intensificação da vida sensorial, na vivência de novas experiências no corpo e na percepção do ser humano. Mesmo na periferia da produção industrial capitalista, observa-se a formação de uma sensibilidade estética que alia técnicas, fascínio e tensão  –   da vida urbana  –   aos sonhos, sobressaltos e devaneios dos sujeitos. Das ruas que se modernizam tornam-se referências a Avenida Central, reformada a partir do modelo político e metodológico  parisiense, e a rua do Ouvidor, local onde a moda atualiza os hábitos e atitudes, na exposição de vitrines com produtos sofisticados, tornando-se, a própria rua, espaço para a exibição da modernidade nos corpos e atitudes, devidamente registrados pelos flashes das kodaks dos jornalistas ou binóculos dos transeuntes. A rua do Ouvidor promove a síntese entre o antigo e o moderno, com o advento de novas técnicas, imagens e  produtos, numa interessante sobreposição de tempos e espaços. Nela, circulam elegantes cavalheiros vestidos à inglesa, cocottes e senhoras com figurino francês, iluminação artificial, inventos ópticos, vitrines e automóveis; também circulam vendedores ambulantes  –   como ruínas dispersas da escravidão  –  , carroças, charretes, carregadores, oficinas artesanais, capoeiras, quiosques em meio a água estagnada e epidemias. As expressões de susto, encanto e impacto dos que nela transitam projetam na manipulação do espaço, a sensação do tenso, rico e coexistência de tempos, passado e futuro, no  presente. Trágica ou fascinante, a modernidade representada nas ruas permite, também, a permanência de formas e imagens que pretende superar. Assim, o embelezamento do espaço urbano coexiste com a ruína ou decadência do antigo, as imagens geradas por tecnologias sofisticadas seduzem o iletrado e as notícias dos jornais e anúncios na cidade reeditam formas da cultura oral. As tensões entre o novo e o velho também geram resistência e rebeldia: as ruas ferviam em protestos, rebeliões e greves. A cidade infernal, habitada por todos os expulsos da modernidade (logo chamados de facínoras, vagabundos, desordeiros, doentes etc), era descrita de forma dantesca pela imprensa e recriada pela literatura. A população lia a cidade pelos redatores de jornais  –   criativos ao classificar os espaços (covil, antro, oficinas da peste)  –   e pela relação entre narradores e personagens. Os intelectuais também se debruçavam sobre as contradições do processo de modernização da cidade (havia a coexistência de temporalidades diversas) e conferiam protagonismo às ruas como espaço de constituição do imaginário carioca moderno, metáfora das tensões do país. Esse movimento assume modalidades distintas nas páginas dos jornais, conferências, nas sátiras e caricaturas, nas crônicas, romances, ensaios e poemas. A forte presença do humor, debates e polêmicas produzem questionamentos sobre o papel da literatura, o lugar do intelectual ao lado das reflexões sobre o país e os brasileiros, tendo como cenário as ruas, com seus cafés, confeitarias,  becos e travessas. A história da modernidade na Belle Époque é indissociável da história da cidade. Por isso, os pesquisadores do LABELLE  –   Laboratório de estudos de cultura e literatura da Belle Époque, sediado no Instituto de Letras da Uerj  –   convidam à indagação sobre a matéria literária e artística centrada na cidade e suas representações, abrindo espaço para reflexões ligadas a suportes vários que acolhem as experiências  estéticas. Os seguintes temas servirão de apoio à indagação: A.Experiência urbana e escrita. A cidade como paisagem visual e sonora. A cidade e o desenho de novas subjetividades. Tecnologias visuais, modernização da percepção e seus efeitos. Memória e narrativas. Visibilidade, novas configurações de tempo e espaço na arte e literatura. A cidade e as margens. A rua palco, cenário ou miragem. O diálogo com outras literaturas. Nova escrita, novo perfil de intelectual? B.Figurações do humor e a modernidade. O riso, a caricatura, a paródia em seus diferentes aspectos gráfico e literário. A cidade, o pintor e o desenhista. C.Condições materiais de produção. A comparação entre artes e suportes (música, fotografia, quadrinhos, etc). Os suportes e as  possíveis refrações e reflexões de aspectos infra-estruturais (incremento do parque gráfico, entrada em cena do linotipo, dispositivos óticos, fotogramização da experiência urbana etc) sobre a escrita e sobre os produtos híbridos de imagem e texto então circulantes. D. Problematização teórica e/ou em estudo de obras literárias de questões como modernidade, modernismo e modernização. Cidade, história e cultura. Diálogos com o contemporâneo? Palavras-chave: Belle Époque; cidade; modernidade; literatura 3 - A crítica literária contemporânea e seu lugar no debate público de ideias Coordenadores: Cristhiano Motta Aguiar (U. P. Mackenzie) - cristhianoaguiar@gmail.com Eduardo Cesar Maia (UFPE) - eduardocesarmaia@gmail.com Resumo : O último século foi marcado, no âmbito dos estudos literários, por grande ênfase no campo da teoria da literatura, e pela promessa de abordagens mais sofisticadas, autoconscientes, além de metodologicamente mais rigorosas. De tal modo foi prestigiado o paradigma da Teoria que disciplinas correlatas, como a crítica literária e a história literária, ficaram relegadas a um segundo plano. Em 2016, no último encontro da Abralic, posicionamos o foco do nosso debate especificamente no âmbito da crítica literária. Tivemos o privilégio de debater seus impasses e perspectivas. Em 2017, propomos dar continuidade a esta reflexão, buscando aprofundar as questões  propostas no ano anterior. Além disso, temos consciência do quanto as discussões anteriores, por mais fecundas que tenham sido, não esgotam as diferentes facetas que circundam o tema do nosso simpósio. A pertinência do tema do nosso simpósio se verifica no fato de que, nos últimos anos do século XX e no início deste século XXI,  podemos enxergar uma revalorização da crítica, que se exprime, especificamente no cenário brasileiro, tanto no resgate da obra de críticos importantes de nossa tradição literária  –   como é o caso da reedição da obra de José Guilherme Merquior  –  , como no resgate da chamada crítica de rodapé, empreendido por pesquisadores como João Cezar de Castro Rocha. Some-se a isso a existência hoje de um periódico como o Rascunho, um jornal dedicado de modo praticamente exclusivo à crítica de obras brasileiras contemporâneas, manifestando com força essa retomada da crítica literária no Brasil. Além do mais, em outra clave, chama a atenção a profusão de sites, blogs, redes sociais de leitura e canais do Youtube voltados para o compartilhamento e discussão de experiências de leitura. Isso tudo não deixa de representar um movimento de revisão do discurso hegemônico da teoria literária, que deixa ver suas marcas até hoje nos departamentos e pós-graduações de Letras das universidades brasileiras. A  proeminência atual da crítica parece manifestar-se de diferentes maneiras: pela defesa de um viés individual, até então soterrado pela fetichização do método; por uma retomada da polêmica enquanto espaço de debate, de questionamento e de construção  de valores; pela necessidade de um discurso mais aberto aos espaços não acadêmicos, interessado na grande imprensa e na difusão própria da internet e das redes sociais. Todos esses traços, passíveis de serem atribuídos à revalorização do discurso crítico na atualidade, permitem entrever a busca pelo reestabelecimento de uma possível maior relevância da própria textualidade literária na contemporaneidade, sem, necessariamente, que ela deixe de ocupar o lugar periférico que a sociedade pós-industrial lhe legou. A crítica pode, dessa forma, conferir mais visibilidade à literatura contemporânea na medida em que a torna mais nítida no conjunto de discursos que compõem o contemporâneo. Assim, reiteramos o interesse desse simpósio em discutir e refletir sobre o lugar da crítica literária hoje não apenas no âmbito dos estudos literários, mas também no cenário acadêmico, cultural e político das textualidades contemporâneas. Justamente esse dentro e fora, esse caráter ambíguo, dúbio  –   por que não dizer: esquizofrênico  –   permite uma redefinição de sua importância, função e valor, ao mesmo tempo que permite tornar mais percussiva a presença da própria obra literária. Interessam mais objetivamente ao simpósio trabalhos que se voltem para a discussão de questões fundamentais da crítica literária atual, tais como: suas relações com a academia e com as outras disciplinas que compõem os estudos literários e mesmo com outros ramos do saber  –   história, filosofia, antropologia etc.; sua relação com os  jornais impressos, com revistas e com sites, blogs e outras formas de publicação eletrônica; trabalhos que enfoquem o pensamento e a trajetória de importantes críticos que, no âmbito brasileiro, conferiram sempre caráter fundamental ao papel da crítica literária, mesmo quando foram teóricos e historiadores da literatura, como é o caso de Álvaro Lins, Lúcia Miguel Pereira, Gilda de Mello e Souza, Otto Maria Carpeaux, Antonio Candido e José Guilherme Merquior; reflexões sobre a crítica literária escrita  por ficcionistas e poetas. Nesse sentido, também se faz oportuna a presença de debates que tomem como ponto de partida a atuação e as ideias de críticos atuais: críticos que tenham essa atuação marcada pela conquista de algum espaço em veículos impressos e virtuais, efetivados então por eles, não raro, como campos amplamente receptivos à  polêmica e ao debate  –   são os casos, por exemplo, de José Castello, João Cezar de Castro Rocha, Rodrigo Gurgel, Manuel da Costa Pinto, Alcir Pécora e Paulo Franchetti. Palavras-chave : Crítica literária; teoria literária; Literatura contemporânea; jornalismo 4 - A experiência do confinamento: literatura e outras produções culturais (2) Coordenadoras: Lisa Carvalho Vasconcellos (UFBA)  –   lisa.vasconcellos@gmail.com Maria Rita Sigaud Soares Palmeira (USP)  –   rita.palmeira@gmail.com Daniela Birman (UNICAMP)  –   danielabirman@gmail.com Resumo :   Quase 25 anos depois do Massacre do Carandiru (1992), nenhum agente cumpriu pena pelas mais de cem mortes cometidas. A chacina resultou no assassinato de pelo menos 111 presidiários da antiga Casa de Detenção de São Paulo, em uma operação da Polícia Militar, chamada para controlar uma rebelião de detentos. Nas duas  primeiras semanas deste ano, mais de 130 presos foram assassinados em presídios  brasileiros, a maior parte nas regiões Norte e Nordeste. As matanças foram produzidas  por confrontos entre facções criminosas, gerando cenas de horror. Chamado, não por acaso, de ―crise nos presídios‖, o colapso do sistema penitenciário provocou, de modo geral, respostas pontuais, revelando o processo de naturalização do aprisionamento como forma de punição  –   e, pior, do extermínio de certa parcela da população. Um grupo formado por indivíduos de classe, cor e idade determinadas. Responde- se à ―crise  penitenciária‖, entre outras propostas, com a construção de novas prisões, escalação das
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