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Abstrações: apontamentos sobre o comportamento dos visitantes

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Apresentamos neste artigo a instalação audiovisual interativa Abstrações, descrevendo sua proposta artística, implementação técnica e levantando apontamentos preliminares sobre a efetividade dos processos de interação com o público visitante
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    Abstra•›es: apontamentos sobre o comportamento dos visitantes  Clayton Rosa Mamedes (1, 2) , JosŽ Eduardo Fornari Novo Jr. (1) , J™natas Manzolli (1,2) , Denise Hortncia Lopes Garcia (2) (1)  Nœcleo Interdisciplinar de Comunica•‹o Sonora  (2) Departamento de Mœsica Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)  Resumo. Apresentamos neste artigo a instala•‹o audiovisual interativa  Abstra•›es , descrevendo sua proposta art’stica, implementa•‹o tŽcnica e levantando apontamentos  preliminares sobre a efetividade dos processos de intera•‹o com o pœblico visitante observados durante a sua implementa•‹o.  Palavras-chave:  instala•‹o multim’dia, estŽtica, significa•‹o musical, composi•‹o Abstract. We present here the audiovisual installation named  Abstra•›es , describing its aesthetic aim, technical implementation and preliminary results regarding the effectiveness of the interactivity processes with visitors during its installation.  Keywords:  multimedia installation, aesthetics, musical meaning, composition  1. Introdu•‹o  A compreens‹o dos mecanismos que tornam uma cria•‹o art’stica esteticamente ÒeficienteÓ tm sido objeto de estudo de diversos pesquisadores,  principalmente nas ‡reas da filosofia (Hanslick 1989; Hegel 1996) e psicologia da emo•‹o e da significa•‹o musical (Cook 2001; Huron 2006; Manzolli et al. 2000; Meyer 1956; Sloboda 1992). Estudos recentes sugerem que o processo de significa•‹o musical envolve uma complexa rede de rela•›es entre o conteœdo musical  previamente adquirido pelo ouvinte e sua capacidade em gerar expectativas observando o desenvolvimento de uma obra musical durante a sua performance. (Oliveira 2010) sintetiza os principais t—picos da teoria de Meyer (idem), que descrevem a complexidade do processo de significa•‹o musical:  (i) o significado, antes de mais nada, depende da capacidade de reconhecimento de  padr›es [pelo ouvinte]; (ii) o reconhecimento de padr›es opera de acordo com os  princ’pios da Gestalt e da Lei do  PrŠgnanz  ; 1   (iii) por meio de tais princ’pios, a mente 1  A Psicologia da Gestalt busca explicar propriedades cognitivas (e perceptivas) por rela•›es entre o todo e suas partes, defendendo que o todo Ž mais do que a soma das partes. [O conceito de  PrŠgnanz  ]  pode ser entendido como a tendncia de um sistema a executar a forma ou processo mais est‡vel, regular, ordenado, econ™mico poss’vel em uma dada situa•‹o. (Oliveira 2010, 45. Grifos nossos.)      pode gerar expectativas (significados hipotŽticos) sobre as estruturas consequentes a  partir das antecedentes; (iv) as expectativas geradas s‹o confrontadas com as estruturas consequentes que se efetivam no desdobrar da obra musical (significados evidentes); (v) os aspectos afetivos correlacionados se devem ˆ din‰mica entre significados hipotŽticos e evidentes, como a inibi•‹o de tendncias ou atraso das estruturas esperadas; (vi) a din‰mica de significados hipotŽticos e evidentes, assim como a correla•‹o afetiva, depende da rela•‹o entre estruturas normativas e desviantes; (vii) estruturas normativas e desviantes s— s‹o poss’veis dentro de sistemas musicais espec’ficos; (viii) sistemas musicais espec’ficos carregam consigo um conjunto de cren•as, disposi•›es e h‡bitos que mediam a rela•‹o estŽtica entre ouvinte e obra; (ix) o conjunto de cren•as, disposi•›es e h‡bitos altera a maneira como percebemos padr›es; (x) assim, voltamos ao ponto inicial, em um sistema de causalidade circular. (Oliveira 2010, 87-88) Conciliar este conjunto de rela•›es consiste em trabalhar com um constante  jogo entre expectativas e surpresas. (Huron 2006) sugere que o sucesso ou falha neste  jogo ativam diferentes respostas fisiol—gicas do sistema l’mbico cerebral, e as interpreta•›es destas respostas s‹o associadas a padr›es emocionais. Neste artigo  propomos quest›es sobre os processos de comunica•‹o e imers‹o dos visitantes observadas empiricamente durante testes de performance da instala•‹o: Abstra•›es.  2. Abstra•›es: descri•‹o da proposta art’stica  Abstra•›es Ž o nome de uma instala•‹o audiovisual em que o reconhecimento do sinal de v’deo, associado aos deslocamentos observados no espa•o da instala•‹o, controla par‰metros de s’ntese e processamento de ‡udio e v’deo em tempo real. AtravŽs de uma c‰mera de v’deo infra-vermelha, o sistema Ž capaz de rastrear a  posi•‹o do pœblico e o deslocamento de seu centro de massa, respondendo sonora e visualmente a esta intera•‹o. A instala•‹o foi implementada com o objetivo de ser executada ininterruptamente. Seu projeto prev quatro estados evolutivos que se alternam de acordo com associa•›es definidas em rela•‹o ao êndice de Movimenta•‹o do Pœblico (IMP) identificado pelo sistema. O design de paisagem sonora criada nessa instala•‹o determinou nossa  preferncia por sons sintetizados por Frequncia Modulada (FM), desenvolvidos a  partir de modelos inspirados em instrumentos percussivos met‡licos, tais como sino e vibrafone. Esta preferncia advŽm do processo criativo que emprega a an‡lise de um    registro sonoro de gongo balins para estrutura•‹o de alturas do ambiente harm™nico da instala•‹o. O design do ambiente visual da instala•‹o Ž inspirado em formas geomŽtricas exploradas de maneira abstrata, resultado de processamentos e distor•›es destas formas aplicados sobre o modelo de s’ntese de part’culas inicial. A proposta desta instala•‹o Ž estabelecer artisticamente um jogo entre o pœblico visitante e os recursos audiovisuais, tornando a instala•‹o um ambiente imersivo e lœdico. Para alcan•ar este objetivo, determinamos conjuntos de eventos e processamentos sonoros e visuais reativos ˆ movimenta•‹o dos visitantes. Os quatro estados da instala•‹o foram concebidos de maneira a se tornarem progressivamente complexos: sons de grada•‹o cont’nua 2  com espectro de nota 3  e reatividade restrita no primeiro estado; sons idiof™nicos (gerados por gestos do tipo ataque-resson‰ncia) met‡licos com espectro harm™nico reativos ao movimento acompanhados de acordes aleat—rios como  plano textural de suporte no segundo estado; sons idiof™nicos com espectro inarm™nico tambŽm reativos e acompanhados por plano textural no terceiro estado; sons idiof™nicos com espectro nodal por distor•‹o do conteœdo espectral durante o ataque no quarto estado. A parte de v’deo de  Abstra•›es  Ž implementada integralmente a partir de um gerador de part’culas controlando figuras geomŽtricas, enquanto a parte de ‡udio Ž implementada a partir do modelo de s’ntese FM, conforme apresentado por Richard Moore (Moore 1990).  3. Modelo de M‡quina de Estados  M‡quina de Estados (Gill 1962) s‹o mecanismos eficientes para modelar os comportamentos hier‡rquicos associados a sistemas que trabalham em um conjunto de 2  Adotamos os termos definidos pela espectro-morfologia de (Smalley 1986, 65-70). 3  A complexidade do espectro est‡ associada aos valores do ’ndice de modula•‹o designados para cada categoria de material sonoro empregada no design da instala•‹o, progressivamente. Nosso modelo  partiu da adapta•‹o experimental de uma senoide com baixo ’ndice de modula•‹o (FM) para o primeiro estado, vibrafone para o segundo estado, sino para o terceiro estado e agog™ para o quarto estado.    estados finitos, determinados por condi•›es de transi•‹o que os alternam ao longo do tempo. Este modelo Ž largamente empregado em sistemas de comunica•‹o, solu•›es de engenharias, inteligncia artificial e sistemas de automa•‹o, sendo esta œltima solu•‹o o motivo pelo qual o adotamos na implementa•‹o de  Abstra•›es . O modelo de m‡quina de estados implementado em  Abstra•›es  coordena o mapeamento dos par‰metros utilizados para s’ntese sonora e processamento de v’deo. Estes par‰metros, obtidos a partir do movimento dos visitantes, controlam o in’cio e tŽrmino dos eventos de ‡udio e v’deo, simulam configura•›es de fontes sonoras no espa•o acœstico da instala•‹o controlando um sistema de difus‹o quadrif™nico e alteram a configura•‹o das part’culas de v’deo 4 . A an‡lise da movimenta•‹o dos visitantes Ž realizada pelo emprego de uma c‰mera de v’deo que constantemente obtŽm dados do ambiente mapeado, definido  pela ‡rea restrita entre a tela de proje•‹o e quatro alto-falantes dispostos nos vŽrtices de um ret‰ngulo. Esta an‡lise localiza o centro de gravidade dos movimentos realizados pelos visitantes e reporta valores din‰micos que correspondem ˆs coordenadas de seu deslocamento em rela•‹o ao comprimento e largura da sala. A intera•‹o entre ‡udio e v’deo Ž baseada nestes dois eixos perpendiculares de detec•‹o, criando um modelo que trabalha com dois fluxos de dados independentes, mas correlacionados. Nossa proposta Ž que o pœblico jogue com as diferentes rea•›es da instala•‹o a seu deslocamento no espa•o. Quando um visitante caminha dentro de  Abstra•›es  uma cadeia de estados sequenciais no dom’nio do tempo se inicia. A Figura 1 apresenta a arquitetura geral de  Abstra•›es , onde Ž poss’vel observar a din‰mica da instala•‹o. 4  Detalhes sobre o modelo de m‡quina de estados implementado em Abstra•›es est‹o descritos em (Mamedes et al. 2011).    Figura 1. Mapa din‰mico da instala•‹o.   Figura 2. Resultado visual do primeiro estado, apresentando as part’culas deslocando-se de sua —rbita inicial.   Figura 3. Resultado visual do segundo estado, apresentado os poliedros que formam a esfera aumentada.   Figura 4. Resultado visual do terceiro estado, apresentando cones deslocando-se em diferentes dire•›es.   Figura 5. Resultado visual do quarto estado, apresentando o objeto massa-mola com seus vŽrtices apontando para o centro. 4. Apontamentos sobre o comportamento dos visitantes  A instala•‹o foi estreada em agosto de 2011 no Espa•o Cultural Casa do Lago, durante as comemora•›es dos 45 anos da Unicamp. A instala•‹o foi apresentada tambŽm em montagem de testes controlados no Departamento de Artes Cnicas da
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