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Poder, violência e religião no século IV: Hilário de Poitiers e a construção da imagem de Constâncio II

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2⁰ Simpósio Internacional de História das Religiões XV Simpósio Nacional de História das Religiões ABHR 2016
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  2⁰ Simpósio Internacional de História das ReligiõesXV Simpósio Nacional de História das ReligiõesABHR 2016oder! "iol#ncia e religi$o no s%c&lo IV' Hil(rio de oitiers e aconstr&)$o da imagem de *onst+ncio II Melissa Moreira Melo Vieira 1 1.INTRODUÇÃOA interferência imperial no processo de desenvolvimento e alaramento doaparel!o eclesi"stico # $m dos princ%pios &$e orientam a sociedade romanatardo'antia. (sse novo modelo est" intimamente relacionado ao processo decrescimento orani)acional da Ire*a+ &$e ocorre paralela e concomitantementecom a ,$sca de centrali)a-o do poder na /$ra do imperador 0RU2+ 3445+ p.67. A apro8ima-o da reliio crist com o poder pol%tico foi decisiva para a!ist9ria ocidental+ pois permiti$ &$e o disc$rso cristo desenvolvesse s$asde/ni-:es e princ%pios do$trin"rios na condi-o de $ma teoloia pol%tica0ARVA;<O+ 3414+ p. 5=7. (ssa lia-o do (stado Romano com a Ire*apotenciali)o$ $ma nova a$toridade pol%tica no s#c$lo IV> o episcopado. O ,ispoe8erce$ $m papel importante na propaa-o do cristianismo e teve o se$ poderleitimado dentro da esfera imperial. ?e$ndo Rapp 03446+ p. @7+ na &$alidadede le%timo l%der da com$nidade+ o ,ispo *$lava os ass$ntos reliiosos a /m deconter os desvios do$trinais+ &$e+ nas interpreta-:es discordantes acerca da f#crist+ eram classi/cados como !eresias 0;(MO?+ 341+ p. B7. Dentre essas!eresias+ a,ordaremos no presente artio o conCito entre arianos e nicenos &$e+devido  nova con/$ra-o das rela-:es entre (stado e Ire*a+ no se limito$ 1  ,estranda em História Social das Rela)ões ol-ticas pelo rograma de ós./rad&a)$o em História da ni"ersidade ederal do sp-rito Santo3 A a&tora % mem4ro do 5a4oratório de st&dos So4re o Imp%rio Romano 5IR78Se)$o.S3 sse artigo % &m 9ragmento do pro:eto de disserta)$o com o tema ;Identidade! poder e rede de socia4ilidade na Antig&idade <ardia' a din+mica das =&erelas religiosas seg&ndo Hil(rio de oitiers no conte>to do con?ito ariano ocidental @@.@617! orientado pela ro93 Cra3 Drica *ristEFane ,orais da Sil"a3 .mail para contato' melissa3&9esGgmail3com3    apenas ao campo teol9ico e torno$'se $m conCito pol%tico envolvendo oimperador onstEncio II e os ,ispos ocidentais. (m detrimento a $ma s$posta ideia de $nidade F dif$ndida e aspiradapelas lideran-as eclesi"sticas e pelo poder imperial F as ire*as locaisdesenvolveram estr$t$ras distintas+ cada $ma a se$ modo+ se*a nas &$est:esdisciplinares+ teol9icas o$ litGricas 0;(MO?+ 341+ p. 57. N$ma perspectivaeral+ a Ire*a assemel!ava'se m$ito mais a $m imenso mosaico+ o &$e rompecom a concep-o de $ma orani)a-o monol%tica $niforme &$e ainda #perpet$ada pela !istoriora/a 0?I;VAH ?OAR(?+ 3413+ p. 17. Ass$mir &$e no/nal do Imp#rio Romano o sec$lar e o reliioso foram perce,idos comoseparados F e &$e a nossa viso deste per%odo deve aderir a esta dicotomia F #$m res$ltado enanador do pensamento moderno 0RAJJ+ 3446+ p. @7. (ssas$posta ideia de coeso+ cont$do+ ainda /$ra nos est$dos espec%/cos so,re osconc%lios do s#c$lo IV. Ao near a $niformi)a-o da $nidade eclesi"stica+ K$rns03443+ p. 1617 a/rma &$e os denominadores com$ns eram o,tidos por meio deneocia-:es acertadas em conc%lios. (m termos erais+ os conc%lios so re$ni:es com o o,*etivo de disc$tir ere$lamentar &$est:es da do$trina da Ire*a. (les foram o marco leal dessanova con/$ra-o !ier"r&$ica da Ire*a e+ na teoria+ aiam como fator depadroni)a-o de pr"ticas e credos nos diversos r$pos reliiosos &$e sedenominavam cristos 0LOUN+ 3445+ p. 157. (les no eram+ no entanto+ $mare$nio de todo o corpo episcopal de $ma determinada reio> !" $madistin-o s$til &$e separa os &$e so o$ no convocados aos conc%lios0AUD(M(T+ 1B55+ p. 37. Isso se deve ao fato de &$e os conc%lios eramsolicitados para disc$tir &$est:es como condena-:es de ,ispos+ e8%lios o$recon!ecimentos de credos+ e a convoca-o dependia das posi-:es do$trin"riase da representatividade dos ,ispos em s$a reio. A convoca-o do imperador #$m ponto sini/cativo para a compreenso da diversidade+ das coes:es edissen-:es dos ,ispos convocados.A motiva-o dos imperadores cristos+ a partir do s#c$lo IV+ em reali)ar osconc%lios+ reCetia a preoc$pa-o destes em preservar $ma coeso e $nidade na J"ina 1    com$nidade crist+ pois $ma framenta-o poderia implicar em $ma diviso napr9pria sociedade 0ARVA;<O+ 344@+ p. 3537. ont$do+ ,$scar $ma $nidade deideias+ dentro dessa comple8a sociedade+ composta de interesses distintos+ &$easse$rasse $ma rela-o e&$ili,rada entre a pol%tica e a reliio mostro$'sefr"il 0IU(IR(DO+ 3413+ p. 157+ res$ltando em diversos conCitos entre os,ispos e o imperador. Isso pode ser veri/cado no decorrer do s#c$lo IV d..+ pormeio do s$rimento de mGltiplos conCitos nessas rela-:es+ liados aosinteresses de leitima-o da pol%tica imperial e s rela-:es de poder+ a$toridadee prest%io da orani)a-o eclesi"stica 0IU(IR(DO+ 3413+ p. 157. As disp$tasreliiosas no s#c$lo IV eraram diversas contendas entre mem,ros doepiscopado e do corpo imperial+ e estes conCitos tam,#m criaram $m con*$ntomais ela,orado de reras para a de/ni-o de leitimidade reliiosa. A !ierar&$iaeclesi"stica foi potenciali)ada+ *$ntamente com a coer-o reliiosa p$ra esimples+ &$e servi$ para refor-ar F ao inv#s de conciliar F vis:es de m$ndo e der$pos de identidades diverentes 0KRON+ 1BBB+ p. B=7. Dentre os conCitos mais sini/cativos em vista da doc$menta-oconservada+ esto a&$elas con!ecidas como controv#rsias trinit"rias+ comdesta&$e ao Arianismo+ &$e s$ri$ em Ka$c"lis+ no (ito+ com os serm:es dePrio. No ano 13+ Prio ass$mi$ o pres,it#rio e preava so,re a oriem e anat$re)a de Qes$s. Prio &$estionava a divindade de Qes$s+ a/rmando &$e antesde risto e8istir+ De$s ainda no era pai 0(NTRIN(R+ 344B+ p. 57. (nto+ comosendo $ma cria-o+ o il!o tin!a $ma essência distinta e inferior ao Jai e no eraeterno como (le. ?em m$ita demora+ o ,ispo de Ale8andria loo tomo$con!ecimento so,re os serm:es de Prio e convoco$ $m conc%lio no ano 1= coml%deres da ire*a do (ito e ;%,ia com o o,*etivo de reprovar e condenar ado$trina de Prio. O pres,%tero+ cont$do+ levo$ a controv#rsia a $ma dimenso!ier"r&$ica+ pois rec$so$'se a a,andonar s$a do$trina e assim foi ,anido daIre*a+ *$ntamente com se$s se$idores. A &$erela alcan-o$ as r$as e atrai$ osleios de Ale8andria+ &$e escol!eram $m posicionamento favor"vel o$ contr"rioa Prio. Mesmo com a condena-o de Prio no onc%lio de Niceia+ a do$trina arianacontin$o$ a e8pandir'se. O onc%lio de Niceia no responde$  &$esto centralda teoloia trinit"ria+ e a !armonia o/cial ap9s o onc%lio oc$lto$ as diferen-as J"ina 3    teol9icas &$e estavam presentes e &$e alimentavam novas disc$ss:es edisp$tas 0DN2;+ 3445+ p. @17. ?e$ndo Maal!es 0344B+ p. 117+ as disp$tasentre os r$pos nicenos e arianos em cada cidade Sconverteram'se em $maverdadeira l$ta pela !eemonia e controle dos espa-os de c$lto entre os r$posrivais+ liderados por se$s ,ispos respectivos.O presente artio tem como o,*etivo analisar a imaem do imperadoronstEncio II constr$%da pelo ,ispo <il"rio de Joitiers na inventiva ContraConstantium Imperatorem,  ,em como compreender o conte8to em &$e a o,ra eo a$tor se inserem. A an"lise se dar" a partir do conceito de representações +proposto por Roer !artier. As representações  so vari"veis se$ndo asdisposi-:es dos r$pos o$ classes sociaisH alme*am  $niversalidade+ mas sosempre assentadas e determinadas pelos interesses dos r$pos &$e as for*am.As representações  no so disc$rsos imparciais> prod$)em estrat#ias e pr"ticastendentes a impor $ma a$toridade+ $ma deferência+ e mesmo a leitimarescol!as 0<ARTI(R+ 1BB47. ?endo assim+ n$m conte8to de conCito entre ,ispose imperador+ so esta,elecidas novas rela-:es de poder e representa-:es entreos personaens e r$pos envolvidos+ de modo a a/rmar $m controle e!eemonia em $m determinado Em,ito.3.ON?TNIO II+ O IMITATOR CONSTANTINI onstEncio II ass$mi$ a posi-o de A$$sto do Oriente em 5+ ap9s amorte de se$ pai+ onstantino 3 . O Ocidente /co$ so, o overno de se$ irmoonstante at# a s$a morte+ em 64+ e ap9s isso onstEncio passa a ser o Gnicoimperador &$e daria contin$idade s diretri)es do reinado de se$ pai+ como seele consistisse em $m imitator Constantini  0ANTIU(IRA+ 3413+ p. 13=7. (m meioa inGmeros conCitos entre os ,ispos orientais e ocidentais+ onstEncio II no 3  *om a morte de *onstantino em @@! te"e in-cio &m per-odo de l&tas internas pelo poder3 s n&merosos meios.irm$os e so4rinEos de *onstantino 9oram assassinados por pol-ticos3 *onst+ncio II de9endia &ma s&cess$o din(stica ordenada! li"re da disp&ta entre os di"ersos ramos da 9am-lia3 ssa ideia! assassinato dos mem4ros da 9am-lia! 9oi de9endida por Helena! m$e de *onstantino! sendo pro"("el =&e *onst+ncioII! o Eomem.9orte do no"o regime! tenEa ordenado o massacre *ARVA5H! 201@! p3 73 J"ina     desisti$ de s$as tentativas de resta$rar a $nidade da Ire*a 0DN2;+ 3445+ p.B7. A a-o pol%tica de onstEncio so,re a ire*a foi intensa+ tendo o se$ overnodesenvolvido $m padro espec%/co de rela-:es entre (stadoWIre*a+ &$e seafasta em lara medida da&$ilo &$e se o,serva no per%odo precedente+ &$andoonstantino+ em,ora intervindo nas disp$tas eclesi"sticas+ dei8o$ sempre aos,ispos $ma ampla marem de a$tonomia 0?I;VA+ 344+ p. =67. Os conCitos pol%tico'reliiosos do s#c$lo IV sempre sofreram interven-:esdo poder imperial+ ora em forma de apoio a $ma do$trina espec%/ca+ ora emforma de rep$lsa. (sse fator era deli,erado pela orienta-o pol%tico'reliiosa dorepresentante do poder imperial 0JAJA+ 341+ p. 7 e+ no caso de onstEncio II+ ado$trina adotada como ortodo8a foi o arianismo. O imperador adoto$ a posi-oteol9ica da maioria dos ,ispos orientais+ &$e posicionaram'se contra o credoniceno e se$ principal s%m,olo> Atan"sio de Ale8andria. A partir de 64+onstEncio inicio$ $ma ofensiva para s$,meter os ,ispos ocidentais s s$asdecis:es. Os ,ispos &$e no aceitassem $m determinado credo s$,scrito peloimperador poderiam ser s$,stit$%dos por o$tros alin!ados com a corte+ o &$eres$ltava no e8%lio dos recalcitrantes 0?I;VA+ 344a+ p. B47.As a-:es reprod$)idas por onstEncio II em ,enef%cio dos arianos Satestam$m controle estrito e8ercido pelo imperador so,re a Ire*a+ o &$e encontra a s$a *$sti/ca-o ideol9ica na prod$-o de $ma m%stica imperial de inspira-o crist&$e fa) do so,erano o v#rtice da !ierar&$ia reliiosa 0?I;VA+ 1BB=+ p. 137. Jara&$e s$as decis:es fossem perpet$adas dentro dos conc%lios+ onstEncioprecisava de apoio episcopal e+ d$rante a e8panso de se$ overno para oOcidente+ onstEncio tin!a cada ve) mais so, s$a inC$ência os ,ispos da Il%ria+Valente de M$rsa e Urs"cio de ?inid$no. O imperador de$ a eles l$aresprivileiados como ,ispos da orte e eles desempen!avam o papel de se$sconsel!eiros 0DN2;+ 3445+ p. B17. O arianismo+ &$e *" estava presente na teoloia oriental desde asprea-:es de Prio em 1= 0(NTRIN(R+ 344B+ p. B7+ ainda no era $ma&$esto para a teoloia ocidental. A maioria dos ,ispos da parte ocidental daIre*a foi atra%da diretamente para a disp$ta ariana apenas &$ando o imperadoronstEncio F com o apoio de Valente de M$rsa e Urs"cio de ?inid$no+ se$s J"ina 
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