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Temas da Civilização Ocidental - Cinema

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Temas da Civilização Ocidental - Cinema
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  See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/310019072 Temas da Civilização Ocidental - Cinema Research  · November 2016 DOI: 10.13140/RG.2.2.15757.74721 CITATIONS 0 READS 22 1 author: José Manuel R. TeixeiraUniversidade Aberta 3   PUBLICATIONS   0   CITATIONS   SEE PROFILE All content following this page was uploaded by José Manuel R. Teixeira on 12 November 2016. The user has requested enhancement of the downloaded file.    Professor docente / orientador: Jeffrey Childs UC: Temas da Civilização Ocidental (e-fólio A) Autor: Jose TeixeiraJosé Manuel R. Teixeira - 1401980 19-04-2015 Temas da Civilização Ocidental E-fólio A  Negar a resignação melancólica ou perpetuar a semente distópica deixada  pela Europa da catolicidade romana Figura 1: O Cangaceiro (1953) Realização de Lima Barreto   É proposição destas linhas que se seguem repescar o tema do cangaço  materializado a ora  O Cangaceiro , ão para recalçar asserções por outros já trabalhadas, mas para tentar descodificar uma relação que vai alé  do ofroto etre o o e o vilão–  que aparentemente não foi percecionada na altura da sua edição e lançamento pelo seu autor  –  e estabelece linhas comparativas entre o arquétipo do cowboy   do oeste americano, e tudo o que ele representa, e o cangaceiro do sertão brasileiro   como símbolo da possível ética numa revolução violenta. Acima de tudo entender essa figura que enforma uma resolução definitiva,    Professor docente / orientador: Jeffrey Childs UC: Temas da Civilização Ocidental (e-fólio A) Autor: Jose TeixeiraJosé Manuel R. Teixeira - 1401980 19-04-2015 que se substitui ao índio dominado e a um modelo social importado e suavizado da colónia, que assume, em rutura, uma existência demarcada do colonizador e torna-se ícone de um Brasil vencedor e portador de uma identidade própria. Cinquenta anos após a realização de Kit Carson (1903) e The Great Train Robbery (1903), o cinema   brasileiro, por adventício ou não, propõe-se beber da cultura popular uma temática  já presente na sua literatura. No desenrolar de um processo artístico que buscava a perfeição técnica, que assentava numa seleção discutível de abordagens aleatórias retidas e replicadas dos manuais de cinema russo e americano dos anos 30, a componente estética (música inclusive) saía favorecida, mas algo forçada e desconexa. A autenticidade da estética ingénua do imaginário cangaceiro e da sua preocupação com o visual, referindo por exemplo a indumentária cujo colorido é reflexo da natureza envolvente, torna-se no primeiro elemento diferenciador em relação a um duro cowboy do Oeste sem preocupações dessa índole. O cangaceiro - defensor da sua terra - evidencia uma grande resistência ao progresso e modernidade, por oposição ao sonho e arrivismo do cowboy americano cujo almejo se traduz precisamente na melhoria da sua condição no contexto da grande aventura que é a modernidade. A vida de cangaço, livre, portanto anárquica, é ao mesmo tempo e paradoxalmente, regida pelos interesses dos grandes fazendeiros com ligações às elites políticas e militares com grande propensão ditatorial. O cangaceiro catapulta a identidade do Brasil, num movimento de imbricação, em direção à América mais a norte, cria uma décalage  cultural e social relativamente a toda a América hispânica projetando o seu próprio rumo num processo de cura com o passado. Agora há uma figura, que não o nativo nem o branco invasor ou o branco esquecido pela metrópole da Europa preocupada com os seus dogmas românticos e filosóficos, catalisadora de um movimento que acabará por levar o Brasil a pensar a sua existência em si mesmo rompendo com a melancolia de ser apenas um descobrimento temente a um deus demasiado oligárquico e manipulador.    Professor docente / orientador: Jeffrey Childs UC: Temas da Civilização Ocidental (e-fólio A) Autor: Jose TeixeiraJosé Manuel R. Teixeira - 1401980 19-04-2015 A imagem que se segue reflete e impele-nos a um sentimento de iconoclasta, mostra-nos uma devoção caduca, sombria, temerosa e de uma indigência psicológica e ignorante, no sentido em que nos reporta para a mente coletiva de um povo que tanto crê na virtude de um qualquer crápula político como na caridade de um bando de cangaceiros (bandido-herói) ou numa redenção divina apregoada durante séculos, por uma igreja que deixou de estar presente e dá lugar a uma espécie de convivência simbiótica com a mediocridade. O Cangaceiro, não sendo um filme precursor acaba por ser um pretexto, uma mostra ao mundo que nem só a América do Norte tem o seu homem ícone - modelo do novo nativo - pronto a ser aprovado pelo mundo e mais especificamente pela Europa. Abre uma janela para o surgimento do Cinema Novo que pretende rebater a avalanche cinematográfica vinda de Hollywood, e por outro lado, captar e tratar as temáticas reais do povo brasileiro e as suas dificuldades com uma estética própria de um cinema produzido com baixo orçamento. Figura 2: Personagem anónima rezando aquando de um saque na aldeia. Filme “  O Cangaceiro ” ..    Professor docente / orientador: Jeffrey Childs UC: Temas da Civilização Ocidental (e-fólio A) Autor: Jose TeixeiraJosé Manuel R. Teixeira - 1401980 19-04-2015 É possível pensar no Brasil como a terceira América, uma América que emana latinidade, mas uma latinidade diferente, que não trilha o percurso da América hispânica deprimida na sua desolação aquando do abandono de sua mãe europeia, cuja matriz cultural assentou e continua a radicar nos resquícios de colónias esventradas e esquecidas pelo Primeiro Ocidente . O Brasil é uma América resolvida que tentou e tenta a sua projeção no mundo, talvez sem sonhos, mas com muita vida... *** Esta breve reflexão constitui-se como uma tentativa de estabelecimento de conexões, mais ou menos intrincadas, apoiada na leitura e análise possíveis dos recursos facilitados e outros, que lidos transversalmente, foram usados não como guias que moldam e limitam, mas apenas como indutores de novas e diferentes perspetivas em bruto. Bibliografia: Lourenço, Eduardo.  A Morte de Colombo. Gradiva, 2005;   Pernambucano de Mello, Frederico. Estrelas de Couro - A Estética do Cangaço :   Brasil (2ª ed.) Escrituras, 2012;   Rocha, Glauber. Revolução do Cinema Novo. Rio de Janeiro: Alhambra/ Embrafilme, 1981. View publication statsView publication stats
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